terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Saudade, palavra triste...

Ontem, o tempo fechou aqui em casa. A avó, madrinha e segunda-mãe de Queridão finalizou sua estadia aqui na Terra. Pense num dia saudoso e triste? Foi ontem, 5 de janeiro de 2009. Conheci Dona Nenga há pouco mais de 4 anos e apesar dos encontros casuais - sempre em almoços de família e momentos de imensa felicidade familiar - sabia o quanto ela era uma pessoa boa de coração. Ontem, na sua breve "despedida" carnal, vi o quão Querida e Especial ela era. Enterro sempre é triste, mas ontem observei detalhadamente as lágrimas, a saudade e um dos maiores sentimentos do ser humano: a gratidão de todos os presentes. Dona Nenga foi literalmente ovacionada por todas as pessoas que estavam ali, que reconheceram a sua importância não apenas para si, mas para uma comunidade, muita vezes, esquecida pelas autoridades. Os relatos que ouvi foram tão especiais que, certamente, ficarão guardados aqui em minha memória e meu coração, além de despertar em mim sentimentos nobres de compaixão com o próximo. O ocorrido ontem me fez resgatar um pouco de mim. Um pouco do que aprendi na infância.

Sou suspeita para falar de Dona Nenga, porque apesar dela ter ajudado tantas pessoas que viviam ao seu redor - com comida, dormida, estudos - , ela cuidou de Queridão ensinando a ele como respeitar uma mulher, como ser amoroso, fiel, otimista e de bom coração. Serei eternamente grata por ter feito de meu marido um homem infinitamente especial. Além disso, sentirei saudades também daquela voz suave e até das suas palavras de ciúme, porque o filho cresceu, se casou e seguiu o seu caminho. 

O ano de 2009 começou saudoso. Mas meu Deus é o Deus do impossível e sei que tudo na vida acontece com a sua permissão. Esse Deus tão misericordioso também era de Dona Nenga, que era uma católica fervorosa. Com esse Deus, tenho certeza de que devemos seguir viagem aqui na Terra seguindo bons exemplos, como o de Dona Nenga. No nosso penúltimo encontro pude dizer a ela o quanto gostava dela. Ela sorriu e disse: "também gosto muito de você e de Seu Celso. Você é linda". 

Apesar de ser espírita e acreditar no reencontro espiritual, a saudade é inevitável e a dor desse sentimento do "até logo" é angustiante. Mas confio em Deus e Ele me dá paz. Que meu marido querido também possa desfrutar de bons sentimentos no peito. Ele já foi feliz por tão uma avó que o amava tanto e cuidava dele a todo tempo. Isso, nem a distância, nem a ausência o fará esquecer. 

Saudade. A palavra de ordem do hoje. 

E jamais poderei escutar a canção abaixo, sem lembrar de Dona Nenga ... 

"Olha o flor da laranjeira
ALÔ BAHIA
Uma flor que tanto cheira
ALÔ BAHIA
Todo mundo já conhece
ALÔ BAHIA
O cheirinho da laranjeira
ALÔ BAHIA

Vou mandar tirar,
Vou mandar tirar..."

2 comentários:

Polêmica disse...

Realmente, saudade é palavra triste.
Mas o importante é a lição de vida que as pessoas deixam!
Muita força para você!

Beijão!

Leonardo Araujo disse...

Acho que todos nós que estávamos lá jamais poderemos ouvir esta música outra vez sem lembrar de tia Nenga. E isso é bom, porque além de imensa em vida, ela fica eternizada numa bela canção,

Beijo